A Pedofilia pelo olhar da Psicologia

WhatsApp Image 2018-10-08 at 4.17.20 PM

Podemos perceber que em muitos casos de abuso sexual infantil, logo que as pessoas ficam sabendo da notícia já nomeiam o criminoso como pedófilo. Com poucas informações sobre o que realmente é pedofilia, é reproduzido o que é ouvido referente às pessoas e aos casos.

Pensando um pouco, cabem aqui algumas explicações sobre esse assunto. Por muitas vezes apenas apontamos o dedo e nos referimos a qualquer criminoso sexual o nome de “pedófilo” por seus atos cometidos, porém nem sempre que acontece um caso de abuso sexual infantil significa que o tal agressor é pedófilo.

A pedofilia é considerada uma doença e está classificada entre os transtornos parafílicos pelo DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). A parafilia é considera uma anormalidade, um transtorno psiquiátrico caracterizado por atividades sexuais consideradas como perversão.

Qualquer tipo de transtorno parafílico causa sofrimento ou prejuízo aos indivíduos envolvidos, trazendo uma satisfação que implica em danos e risco próprio e aos outros.

Pela OMS – Organização Mundial de Saúde, a pedofilia é um transtorno psicológico onde o indivíduo tem fantasias sexualmente excitantes, impulsos sexuais, e comportamentos intensos e recorrentes que envolvem atividades sexuais com crianças ou crianças pré púberes (13 anos ou menos). O transtorno aparece ainda na adolescência onde o indivíduo se encontra por volta de seus 16 anos, e na maioria das vezes se relaciona com comportamentos sexuais com crianças 5/6 anos mais novas que eles. As pessoas que apresentam esse transtorno podem ter passado por diversos fatores dentro do seu desenvolvimento pessoal, ambiental, cultural ou familiar, como por exemplo, algum tipo de abuso sexual, agressões, humilhações, perdas, dentre outros.

O diagnóstico de tal parafilia requer muitos pontos a serem considerados e uma avaliação minuciosa de um profissional da psicologia e de um médico psiquiatra.

Dentro de tantos pontos colocados também podemos afirmar que a pedofilia não é crime. O transtorno “pedofilia” não denomina o homem ou a mulher como um ser criminoso, a pedofilia é uma doença e enquanto a mesma não é manifestada de forma que atinja outra pessoa a mesma não pode ser denominada como criminosa. A pedofilia (transtorno) atinge torno de 3% a 5% dos homens, já sobre as mulheres ainda não se tem dados certos, embora seja uma fração menor.

Dentro desse número existem vários casos do transtorno onde a pessoa nunca cometeu nenhum crime, ou seja, nunca cometeu qualquer tipo de comportamento sexual criminoso contra uma criança.

A pedofilia não exige que o mesmo tenha contato sexual com a vitima, a pedofilia pode ser exteriorizada de diversas formas como fantasias e desejos sexuais e não necessariamente abusando e cometendo esses atos com uma criança. O fato de falarmos sobre o assunto não é defender os criminosos sexuais, e sim compreender um pouco mais essa temática, pois o pedófilo é atingido de tal forma pelo transtorno mental que o mesmo é julgado como inimputável, recebendo tratamento através da internação compulsória.

O pedófilo sente a atração sexual por crianças, seu comportamento é habitual, porém a satisfação e excitação sexual só duram até o final do ato, logo após vem um grande sentimento de culpa e vergonha. Pois ele sabe que seu comportamento é inadequado, violento, ilegal e principalmente imoral. (CABETTE, PAULA, 2013).

Tais fatores os diferenciam de pessoas que estupram somente por prazer, não mostrando arrependimento pelo que fazem e sim apenas por terem sido presos.

Não significa que pedófilos saem impune sobre o que fazem, o Código Penal e o ECA – Estatuto da criança e do adolescente tem leis para lidarem com isso. Essas pessoas são punidas de acordo com o crime que é cometido contra crianças ou em mídias virtuais, onde entra a questão da satisfação de suas fantasias.

Infelizmente hoje com a facilidade das redes sociais e da internet lidamos com pessoas que vendem imagens e vídeos, pessoas que fazem parte do comércio de exploração e pornografia infantil, para satisfazer justamente os desejos dessas pessoas. Pessoas que realizam tal atividade contribuem para que esses atos criminosos sejam realizados.

Além de oferecer tratamento e internação para pessoas que sofrem com esse transtorno é preciso também culpabilizar e se atentar aos que usam dessa doença como forma de comercialização e que participam desta rede de exploração infantil.

Concluindo, é importante então entendermos que pedofilia não é crime e sim um transtorno, ou seja, nem sempre o pedófilo coloca em prática suas vontades, desejos e impulsos sexuais. E nem sempre os estupradores/criminosos sexuais são pessoas com o transtorno parafílico “pedofilia”.

___________________________________

Natalia O. Ferreira (CRP/SP 06/136783), psicóloga e coordenadora do Contemplar Psicologia & Desenvolvimento de Pessoas, idealizadora do Espaço Psicológico Contemple-se Mulher.

Curta nossa página no FacebookCoisas que todo cidadão DEVE saber

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s