Desintoxicação do romantismo

Há algum tempo venho me descontruindo e me reconstruindo de acordo com as consciências que adquiri com minhas experiências de vida, de sentir e de amar. Acredito na necessidade de “boas” escolhas, e aqui coloco boas entre aspas, porque sei que o BOM é relativo, o que é bom para mim, pode não ser bom para você, e a recíproca poderá ser verdadeira.

Enfim, de varias metamorfoses vivenciadas  e de desintoxicações necessárias, a de mais impacto  foi a desintoxicação do romantismo, sim, afirmo necessária e imediata para todas as mulheres.

Como a maioria das meninas fui criada ouvindo contos de fadas, e incentivada a leitura de livros sobre romances, então desde cedo aprendi a apreciar a poesia e a buscar sentimentos profundos, inclusive, cheguei a acreditar em um “par perfeito”, sem defeitos mesmo!!

Meus pais me ensinaram a importância do amor e da fidelidade entre os casais e do quanto a união entre pessoas devem possuir como base o respeito mútuo, você que chegou até aqui deve estar se perguntando, não há nada de errado nisso?! E com certeza não há!

No entanto, esqueceram de me contar que todos nós, seres humanos, somos falíveis, que vivemos em uma sociedade em que mulheres são ensinadas a sonhar com príncipes e a “se darem o respeito” porque, senão, a “culpa” de eventual violência será dela, mas por outro lado homens são ensinados a não levar desaforo para casa, a fazer sexo como na pornografia, e são ensinados que os desejos e as traições são inerentes ao corpo masculino e que por isso devem ser perdoados com facilidade.

Esqueceram de me contar que um em cada três casamentos terminam em divórcio e que uma em cada cinco mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual.

E no meio de alguns relacionamentos e algumas ficadas encontrei meu marido, tem pessoas que dizem que foi grande sorte ele ter me encontrado, mas outros podem pensar que foi um grade azar rsrs…afinal, em minha jornada fui me desfazendo do amor romântico, baseando meu relacionamento em situações reais (não em expectativas!), exigindo liberdade de ser quem eu sou, de fazer minhas próprias escolhas e de mostrar minha voz e indignação pelas injustiças do mundo para todos ao meu redor, o que traz consequências – boas e ruins – mas ao mesmo tempo, não exijo nada do meu companheiro de vida, apenas o deixo ser quem ele é, o incentivando a ser cada vez melhor, sem expectativas e sem amarras.

E seguimos juntos buscando cada dia mais liberdade, mas ao mesmo tempo estando cada dia mais juntos, na certeza que não somos a “metade da laranja”  e muito menos “alma gêmeas”, na verdade buscamos ser laranjas inteiras, almas completas que dividem o amor pela vida juntos (enquanto valer a pena!).

Guria, não espere ser salva por ninguém, não espere cuidados, não espere flores, salve a si mesma, cuide de si, se ame, compre flores e acima de tudo SEJA FELIZ!

Finalizo esse texto citando uma poesia da Amanda Lovelace:

“quando

alguém

se oferece para

salvar você

faça disso

a missão

para

salvar a si mesma

-acredito em você”

E aí, você já se desintoxicou do romantismo hoje?!

Ana Beatriz Junqueira Munhoz, advogada no escritório Junqueira Munhoz Advocacia, inscrita na OAB/SP n° 366.796, graduada na Faculdade de Direito de Franca e ativista do direito das mulheres

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